quarta-feira, 25 de agosto de 2010

"O Boca do Inferno"




O boca do Inferno

Gregório de Matos Guerra, ou melhor, dizendo O boca do Inferno!

Sempre gostei de poesia... E odiava as aulas de literatura. Na escola me faziam decorar figuras de linguagem, quem era fulano e o que ele fazia... odiava tudo aquilo. Pra que era que ia querer saber daqueles autores que em maioria tinham morrido e que escreviam tudo em palavras entrelinhas?
Pois é na época eu não tinha maturidade suficiente, era uma “aborrescente” tinha quinze anos e como tal, seguia os modismos da época... mas gostava de poesia e também queria escrever.
Com o passar dos tempos, minha sensibilidade foi aumentando... foram acontecendo coisas e fatos, que não convém serem postados aqui... fica a curiosidade... como dizem por ai, sou de natureza misteriosa, e voltando ao assunto de poesias... mergulhei fundo (não por obrigação, mas sim por desejo) no mundo barroco... diria eu, um mundo grosseiro, obscuro, paradoxal, mas muito peculiar por ser a pura realidade vivida até hoje pelo ser humano, e me apaixonei em especial pelo “boca do inferno”, principalmente por sua ironia (sou irônica por natureza), o humor negro dele me conquistou a ponto de ler toda a sua biografia (e olha que odeio biografias), li sem exceção todos os seus poemas e fiz questão de interpretá-los, lembro - me que aos 23 anos, já bióloga, pensei seriamente em prestar vestibular para letras, não para ter uma profissão, mas sim estudar Gregório a fundo.
Leiam O boca do Inferno... e verão que a vida é exatamente como ele relata, só não vale à pena cair em depressão, aliás, a vida tem que ser vivida com a intensidade de que se tem medo de vivê-la.

Soneto
Carregado de mim ando no mundo,
E o grande peso embarga-me as passadas,
Que como ando por vias desusadas,
Faço o peso crescer, e vou-me ao fundo.
O remédio será seguir o imundo
Caminho, onde dos mais vejo as pisadas,
Que as bestas andam juntas mais ousadas,
Do que anda só o engenho mais profundo.
Não é fácil viver entre os insanos,
Erra, quem presumir que sabe tudo,
Se o atalho não soube dos seus danos.
O prudente varão há de ser mudo,
Que é melhor neste mundo, mar de enganos,
Ser louco c'os demais, que só, sisudo.

Loucura? Que nada... plena razão!

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

As novas modalidades de educação




Abaixo segue notícia:

Os primeiros formandos do curso de Ciências Biológicas do Cederj (Centro de Educação Superior à Distância do Estado do Rio de Janeiro), ano de 2008, ainda não haviam conseguido seu registro no CRBio como Biólogos reconhecidos, pois de acordo com o Conselho a EAD (Educação à Distância) não poderia ser aceita como válida, mesmo sendo um curso aprovado pelo MEC, preparado pelas melhores Faculdades e Universidades do Rio de Janeiro, com condições excepcionais para dar suporte aos alunos, tanto nas modalidades presenciais quanto nas semi-presenciais.
Porém, a realidade se mostrou outra, favorável a todos aqueles que têm na EAD sua chance de melhor sua qualidade de vida através da Educação. A Justiça Federal suspendeu, por meio de uma liminar, a resolução do CRBio que orientava as regionais a não registrarem os Biólogos como profissionais. Para a Justiça, essa proibição é inconstitucional. E de acordo com o secretário de Educação à Distância, Carlos Eduardo Bielschowsky " a decisão da Justiça combate o preconceito contra essa modalidade de ensino no Brasil".

Como educadora defendo que o direito de se ter educação de qualidade deve ser universal.
Observem bem EDUCAÇÂO DE QUALIDADE!!!

Não estou postando aqui uma opinião conservadora ou mesmo preconceituosa, mas tenho plena consciência de que um curso presencial e essencial.
Sou bióloga formada por universidade pública em regime presencial, e como tal assumo que o curso teve várias falhas e muitas carências em diversas disciplinas, e que por ser um curso muito complexo tenho conciencia que fui jogada no mercado de trabalho muito "verde" apesar dos diversos estágios que fiz, dos projetos que desenhvolvi, penso que o tempo de universidade nao deveria ser 4 ou cinco anos, mas sim 10 e atualmente me pergunto...

Se um curso presencial tem todas essas falhas imagina em EAD ou mesmo aqueles que tem tempo de tres anos e você somente frequenta aos sábados?

Como um aluno chega ao mercado de trabalho apto a tomar decisões cruciais?

HOje em dia existe o curso de EAD em enfermagem. Você escolheria qual tipo de profssional se pegasse o curriculo dele? EAD ou presencial?

Estas são respostas que somente poderão ser concluídas no futuro, quando as estatísticas comprovarem o "semi analfabetismo profissional" ou o progresso do êxito da educação atual.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Solidão que nada... E todo mundo é sozinho e ai de quem pensar que não!!!




Essa semana recolhida ao meu mundo de leituras técnicas ou literárias, deparei-me com esse texto, escrito pela brilhante Cecília Meireles

Da solidão

Há muitas pessoas que sofrem do mal da solidão. Basta que em redor delas se arme o silêncio, que não se manifeste aos seus olhos nenhuma presença humana, para que delas se apodere imensa angústia: como se o peso do céu desabasse sobre sua cabeça, como se dos horizontes se levantasse o anúncio do fim do mundo.

No entanto, haverá na terra verdadeira solidão? Não estamos todos cercados por inúmeros objetos, por infinitas formas da Natureza e o nosso mundo particular não está cheio de lembranças, de sonhos, de raciocínios, de idéias, que impedem uma total solidão?

Tudo é vivo e tudo fala, em redor de nós, embora com vida e voz que não são humanas, mas que podemos aprender a escutar, porque muitas vezes essa linguagem secreta ajuda a esclarecer o nosso próprio mistério. Como aquele Sultão Mamude, que entendia a fala dos pássaros, podemos aplicar toda a nossa sensibilidade a esse aparente vazio de solidão: e pouco a pouco nos sentiremos enriquecidos.

Pintores e fotógrafos andam em volta dos objetos à procura de ângulos, jogos de luz, eloquência de formas, para revelarem aquilo que lhes parece não só o mais estático dos seus aspectos, mas também o mais comunicável, o mais rico de sugestões, o mais capaz de transmitir aquilo que excede os limites físicos desses objetos, constituindo, de certo modo, seu espírito e sua alma.

Façamo-nos também desse modo videntes: olhemos devagar para a cor das paredes, o desenho das cadeiras, a transparência das vidraças, os dóceis panos tecidos sem maiores pretensões. Não procuremos neles a beleza que arrebata logo o olhar, o equilíbrio de linhas, a graça das proporções: muitas vezes seu aspecto - como o das criaturas humanas - é inábil e desajeitado. Mas não é isso que procuramos, apenas: é o seu sentido íntimo que tentamos discernir. Amemos nessas humildes coisas a carga de experiências que representam, e a repercussão, nelas sensível, de tanto trabalho humano, por infindáveis séculos.

Amemos o que sentimos de nós mesmos, nessas variadas coisas, já que, por egoístas que somos, não sabemos amar senão aquilo em que nos encontramos. Amemos o antigo encantamento dos nossos olhos infantis, quando começavam a descobrir o mundo: as nervuras das madeiras, com seus caminhos de bosques e ondas e horizontes; o desenho dos azulejos; o esmalte das louças; os tranquilos, metódicos telhados...Amemos o rumor da água que corre, os sons das máquinas, a inquieta voz dos animais, que desejaríamos traduzir.

Tudo palpita em redor de nós, e é como um dever de amor aplicarmos o ouvido, a vista, o coração a essa infinidade de formas naturais ou artificiais que encerram seu segredo, suas memórias, suas silenciosas experiências. A rosa que se despede de si mesma, o espelho onde pousa o nosso rosto, a fronha por onde se desenham os sonhos de quem dorme, tudo, tudo é um mundo com passado, presente, futuro, pelo qual transitamos atentos ou distraídos. Mundo delicado, que não se impõe com violência: que aceita a nossa frivolidade ou o nosso respeito; que espera que o descubramos, sem anunciar nem pretender prevalecer; que pode ficar para sempre ignorado, sem que por isso deixe de existir; que não faz da sua presença um anúncio exigente " Estou aqui! estou aqui! ". Mas, concentrado em sua essência, só se revela quando os nossos sentidos estão aptos para descobrirem. E que em silêncio nos oferece sua múltipla companhia, generosa e invisível.

Oh! se vos queixais de solidão humana, prestai atenção, em redor de vós, a essa prestigiosa presença, a essa copiosa linguagem que de tudo transborda, e que conversará convosco interminavelmente.

"A solidão não existe realmente se tivermos sensibilidade para saber termos companhia, mas com certeza todo mundo é sozinho e ai de quem pensar que não!"

Vocês já leram Ariano Suassuna? Se não, deveriam ler! Umas das personalidades mais nordestinas possíveis!

Ariano em prosa, verso ou teatro... um autor perfeito!

Comecei a gostar de Ariano Suassuna, quando estava para prestar vestibular e fui obrigada a ler O auto da Compadecida e o Santo e Porca, na época eu não era muito adepta de leitura, até porque minha hiperatividade e impulsividade descontrolada não me deixavam ter paciência para nada, aliás, adorava me enganar com o resumo de obras, ou mesmo "lia" as obras em forma de filmes, o que era bem mais dinâmico.
Minha falta de paciência para a leitura não foi suficiente para arrebatar minha paixão por histórias e causos nordestinos e aos poucos, fui me apaixonando por escritores que retratavam a história que não sai do meu heredograma (biologicamente falando), a história de meus antepassados: Os judeus marranos do vale do médio Paraíba - “Eu sai do mato, mas o mato não saiu de mim!”
Não sou nordestina, mas fui criada aqui e diferentemente de meus primos, nascidos fora e trazidos igual a mim para cá, neguei minha "origem" sulista a tal ponto que não troco especificamente a minha Paraíba por nada, mas não vou falar do meu amor por Campina ou mesmo pelo estado.
Voltando a falar de obras literárias, mergulhei fundo no regionalismo e li desde Canaã aos mais diversos cordéis (recentemente comecei a colecioná-los), que falam da diversidade de MINHA TERRA, e já gostava de Ariano, quando um dia em minhas pesquisas li uma frase dele:

"Não troco o meu "oxente" pelo "ok" de ninguém!
Ariano Suassuna ...PARAIBANO... CURTO E GROSSO!!!

Identifiquei-me com essa frase, quando em uma de minhas viagens ao Rio de Janeiro, me disseram:
"- que interessante você fala bem e muito, não tem a mínima vergonha de ter sotaque de Paraíba!"
E prontamente eu respondi: “obrigada! Como dizem por lá, sou a carioca mais nordestina que se conhece por lá e não troco meu jeito de ser e falar pelo chiado de rádio velho de vocês, ou mesmo meu prato de buchada pelo feijão com arroz daqui!"
Assim, me dediquei à leitura e interpretação das obras de ariano!
Ariano, assim como João Cabral de Melo Neto e outros muitos autores foram muito felizes ao retratar de forma fidedigna o povo nordestino, um povo sofredor, porém alegre que nunca perde a fé em Deus por dias melhores.

SONETO DA AUTENTICIDADE
(para o mestre Ariano Suassuna)

Expoente muito mais do que digno
Da alma e da autêntica cultura nordestina.
Autor duma obra que traz um brio condigno
Expresso em livros e no abrir das cortinas.

Professor... Escritor... Igualou-se aos gênios
E fez da aula, um nobre espetáculo
Multiplicando o valor de cada vocábulo
Como se todos tivessem algum irmão gêmeo.

De vigorosa identidade e analogia cultural
Porque Mateus, todavia preferiu os seus
Tal qual na história do Movimento Armorial.

Notável dramaturgo, mundialmente paraibano
Que o Nordeste há tempos vem atiçando
E o Brasil reverencia como Mestre Ariano

domingo, 1 de agosto de 2010

Dejavu

Explicaçao para o dejavu
De acordo com a pesquisa, as experiências sugerem que o déjà vu pode ser provocado de forma independente, sem haver uma memória real para acioná-lo.

Acredita-se que reconhecer um objeto ou situação familiar engatilhe dois processos no cérebro. Primeiro, a mente busca em seu arquivo de memória para descobrir se os conteúdos daquela cena já foram vistos antes. Em caso afirmativo, uma parte separada do cérebro identifica a cena ou o objeto como familiares.

Explorando esta teoria de dois passos, uma equipe de cientistas da Universidade de Leeds, no norte da Inglaterra, mostraram a voluntários 24 palavras comuns e em seguida os hipnotizaram. Os cientistas disseram aos 18 voluntários que, quando estivessem diante de uma palavra em uma moldura vermelha, eles sentiriam a palavra como sendo familiar, embora não soubessem quando foi a última vez que a viram. Mas se vissem uma palavra em uma moldura verde, eles pensariam que ela pertencia à lista original de 24.

Em seguida, os voluntários foram tirados do estado de hipnose e expostos a uma série de palavras em molduras de cores variadas. Algumas não pertenciam à lista original de 24 ou estavam em molduras verdes ou vermelhas. Dez voluntários disseram ter experimentado uma estranha sensação quando viram novas palavras em vermelho e outros cinco disseram que esta sensação definitivamente se parecia com um déjà vu.

A cientista Akira O´Connor, aluna do doutorado do Grupo de Memória da Universidade disse que as descobertas lançam uma luz intrigan

te sobre os casos de déjà vu e o modus operandi da memória humana. "Isso nos diz que é possível dissociar de forma experimental estes dois processos, o que é realmente importante para estabelecer que são, de fato, separados", disse O´Connor, segundo o artigo da New Scientist.

Uma pesquisa anterior sugeriu que o déjà vu pode se originar em uma parte do cérebro chamado lóbulo temporal. Algumas pessoas com epilepsia no lóbulo temporal freqüentemente têm registros de déjà vu, e cientistas franceses descobriram que partes eletricamente estimuladas do lóbulo temporal podem acionar a sensação de familiaridade com tudo o que uma pessoa encontrar pela frente

*poxa me sinto muito confortável em saber que nao sou louca, agora eu quero que os cientistas expliquem quando vc sonha e no outro dia acontece!